#Inovação #Empreendedorismo

fev

19

2021

Da Ideia ao MVP Validado: Dicas para Tornar o Processo mais Eficiente (por Fernanda Torós)

A trajetória “da ideia ao MVP validado” é particular de cada empreendedor. Não há uma receita de bolo – apenas dicas para tornar o processo mais eficiente. Essa trajetória pode ser muito solitária, mas alguns empreendedores de sorte podem contar com programas de incubação ou fomento. O programa EDU do Ninna Hub surgiu com o intuito de ajudar – e eu recomendo fortemente o programa aos que desejarem seguir essa trajetória. Gostaria de agradecer ao Ninna Hub pela oportunidade de poder compartilhar um pouco da minha experiência e algumas dicas aqui.

Em geral, a ideia de um empreendedor para uma startup surge de alguma “dor”, ou seja, de algum problema que ele mesmo esteja enfrentando ou que ele esteja observando a sua volta. É no processo de formular uma solução para o problema detectado que surgem ideias para produtos ou serviços inovadores. Assim, tudo começa com um problema – e uma possível solução.

Esse processo de formular uma solução começa com hipóteses acerca, por exemplo, do melhor formato para o produto, público alvo inicial, canais de distribuição e formas de monetizar esse produto.

Uma vez definida essa solução, o empreendedor deve validar suas hipóteses iniciais, conversando com potenciais clientes ou usuários, de forma a medir o interesse e demanda deles pelo produto e modelo de negócios proposto. Note que validar o modelo de negócios é tão importante quanto validar o produto em si, dado que a forma de ganhar dinheiro com a inovação é que determinará, em última análise, o sucesso da startup.

Apesar de o processo de validação do produto ser algo importante, vale destacar que produtos muito disruptivos podem parecer inicialmente “contra-intuitivos”. Cabe ao próprio empreendedor, no fim das contas, decidir se vai lançar o produto – e definir o modelo de negócios atrelado a ele. Não há “verdades absolutas” no mundo da inovação. Há muito aprendizado com erros e acertos e calibragens no caminho. Sempre me lembro da famosa frase de Henry Ford, inventor do automóvel: “Se eu tivesse feito o que meus clientes pediam, eu teria construído uma carruagem com mais cavalos ao invés do modelo T”. Assim, validar é algo importante, mas não absolutamente determinante.

Conhecer o tamanho do mercado endereçável para o produto – ou seja, o tamanho potencial que o negócio pode atingir – também é essencial. Com essa informação, empreendedores e investidores terão uma ideia da escalabilidade do negócio e poderão tomar suas decisões com mais assertividade. Lembrem-se que investidores só costumam investir em negócios realmente escaláveis.

Mapear os concorrentes ou peers da indústria é também muito importante, pois o empreendedor poderá entender melhor como seu produto se posiciona naquela indústria, o grau de concorrência existente e as vantagens (ou diferenciais) da solução que ele oferece. Alguns empreendedores consideram sua solução tão inovadora que costumam afirmar que “não há concorrentes” para seu produto. Essa afirmação não é bem vinda por investidores e, de fato, não é razoável. Sempre há uma forma antiga de se fazer alguma coisa. No caso de Henry Ford, os concorrentes para o automóvel eram os cavalos. Por mais que um produto não tenha um concorrente com 100% de sobreposição, sempre há concorrentes que fazem partes do que sua solução se propõe a entregar. Assim, é importante mapear essa concorrência e identificar como cada um desses concorrentes se sobrepõe ao seu negócio.

Já é lugar comum afirmar que de nada vale uma ideia sem execução. O empreendedor deve poder passar da chamada “fase de ideação” para a “fase de prototipagem” – ou de construção do MVP. Quantas vezes vocês já ouviram alguém dizer que tinha um projeto – projeto esse que nunca saiu do papel? E, mesmo que comece a sair do papel, saber executar bem a ideia, saber colocá-la de pé de uma forma que faça sentido para o cliente ou usuário, não é nada trivial.

Ao contrário do que alguns imaginam, o MVP já é um produto “pra valer”. Ou seja, o MVP deve ser um produto simples, mas suficientemente bom para ser lançado para usuários reais. O MVP não deve ser visto como algo tosco e feito às pressas (mal feito) só para que seja testado logo no mundo real – e que, caso não seja rapidamente aceito, deve ser abandonado imediatamente. Se o MVP for lançado assim, ele pode não ser aceito por conta da má qualidade – e não pela ideia em si ser ruim.

É preciso lançar o MVP assim que possível – ele deve ser um protótipo funcional, mas não precisa ser “perfeito”. Como disse Reid Hoffman, co-fundador do LinkedIn, “se você não tiver vergonha da primeira versão do seu produto, você o lançou tarde demais”.

É também importante ir construindo o produto de forma incremental, com feedback constante dos usuários. Isso evita gastar tempo e recursos à toa e possibilita focar nas funcionalidades mais úteis e prioritárias. Quem deve acabar direcionando muitas das funcionalidades a serem descontinuadas ou aprimoradas / desenvolvidas são os próprios usuários.

Muitas vezes, encontrar o chamado product/market fit” pode ser um processo penoso. Por algum motivo, o MVP recém lançado pode não decolar de cara. É, então, necessário detectar o problema – ou seja, a razão pela qual o MVP não está tendo um bom fit com potenciais usuários – e ajustar o quanto antes o produto, público alvo ou modelo de negócios para seguir em frente. Algumas vezes, o empreendedor precisa até pivotar o negócio e enveredar por outro caminho diferente.

Falhar não deve levar ninguém a desistir. Quando perguntado sobre como havia se sentido ao falhar 1.000 vezes durante o processo de invenção da lâmpada, Thomas Edison disse: “eu não falhei 1.000 vezes; a lâmpada foi uma invenção em 1.000 etapas”. É claro que há uma certa “corrida contra o tempo” nesse processo de ajuste do produto. Muitos não têm fôlego financeiro para chegar na milésima primeira lâmpada. Assim, quanto mais ajuda e informação o empreendedor tiver ao iniciar sua jornada, maiores serão as suas chances de sucesso.

Não existe validação melhor do que a geração de receita. Muitos potenciais clientes – naquela fase inicial de “entrevistas” de validação – podem lhe dizer que sua ideia é ótima e que eles teriam interesse em usar seu produto. Mas da promessa até a venda (ou uso efetivo) vai um longo caminho. Por isso, via de regra, investidores querem ver a comprovação da demanda – a validação do produto – sob a forma de geração de receita antes de efetivamente investirem na startup.

Quando as vendas e a receita começam a ganhar tração ou quando os usuários começam a aderir ao produto de forma crescente e sustentável, podemos dizer que o MVP está validado. Mas não se enganem. Isso é apenas começo!

No curso “Startups, Ecossistemas e Empreendedorismo”, falaremos mais sobre vendas, valuation de startups, investment deck, stock options, desafios comuns de uma scale-up, dentre muitos outros tópicos interessantes. Para mais informações e inscrições, basta acessar o link: https://wespline.com/events/75. Espero vê-los por lá!

Fernanda Torós é PhD, fundadora & CEO da WeSplin e professora do Depto. de Economia da PUC- Rio.

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